Calvino e a Educação: Qual o propósito do conhecimento?
A razão de ser do Homem e o conhecimento da fé professada
Para compreender o combustível da educação em Calvino, antes é necessário partir de um princípio filosófico muito disputado ao longo da história da humanidade, o qual se trata do propósito da vida. Mas como cristãos como poderíamos responder ao questionamento: Qual a razão de ser do Homem? Certamente responderíamos que é Deus ou Jesus Cristo no sentido mais amplo possível da resposta. O que pode evidenciar de nossa parte uma tentativa simplista de solucionarmos o problema com o menor esforço possível exatamente por não conhecer minimamente a fé que confessamos. "É verdade que Calvino ficava chocado com a ignorância que, para ele, era a mãe da heresia." (RUTE SALVADOR, 2013, p.143). Daí a necessidade de se ter conhecimento a respeito das confissões e catecismos, os quais originalmente tiveram a função de que as igrejas formalizassem "a sua fé, apresentando sua interpretação sobre diversos assuntos que as distinguia da igreja romana." (DA COSTA, Hermisten Maia Pereira, 2008, p.6). No Brasil atualmente, grande parte dos cristãos não sabe o que são e nem que existem catecismos e confissões de fé protestantes, se é que sabem que são protestantes, porém está enraizado nos cristãos brasileiros (a maioria) o sincretismo religioso, o qual agrega para dentro da igreja as práticas supersticiosas da crendice popular, então não é de se estranhar que os grupos "cristãos" em evidência no Brasil sejam aqueles da teologia da prosperidade e as suas práticas estranhas ao cristianismo histórico, práticas que são vistas sem muito esforço como a venda de "feijões milagrosos", "água consagrada de Israel" dentre os mais diversos exemplos imagináveis e inimagináveis, o que evidencia a falta do pensamento racional e a ignorância no sentido amplo da palavra, a qual se espelha em outras áreas da vida secular, ou seja, a ignorância bíblica é uma das gêneses de muitos outros problemas da sociedade.
“João Calvino (1509-1564) já combatera a 'fé implícita' – que era patente na teologia católica –, declarando que a nossa fé deve ser 'explícita'." (DA COSTA, Hermisten Maia Pereira, 2008, p.6) Para Calvino a fé implícita é aquela que está submersa em uma escuridão intelectual, ou seja, uma fé sem o ensino e estudo da palavra de Deus. O que leva Calvino a dizer que "não existe fé onde não haja conhecimento" (Calvino apud DA COSTA, Hermisten Maia Pereira, 2008, p.7), pois como pode alguém ter fé verdadeira sem conhecer o objeto da fé? Realidade tratada em Calvino que denuncia o limbo educacional atual, no qual se encontra o cristão brasileiro. Ou seja, estamos regredindo à uma espécie de catolicismo romano neo-petenconstal. "Daqui se faz evidente que espécie de cristianismo existe dentro do papado, onde não só é a crassa ignorância exaltada em nome da simplicidade, mas também o povo é rigidamente proibido de buscar o real discernimento”. (Calvino apud DA COSTA, Hermisten Maia Pereira, 2008, p.7).
A fé explícita seria exatamente o opostoa de fé implícita, uma vez que estaria submersa na luz da razão e do estudo da palavra de Deus, a qual é resumida ao público leigo de forma de fácil compreensão na forma de catecismos e confissões de fé, os quais têm a função pedagógica de instruir crianças e adultos acerca da fé. Onde também as confissões exercem mais precisamente a função de "preservar a sã doutrina, objetivavam tornar clara e objetiva a fé dos crentes." (Hermisten Maia Pereira, 2008, p.8). Então percebam que, não se tratando especificamente da em educação em Calvino, porém com a reforma calvinista em geral, a instrução, ensino, razão e estudo tem primazia. E a razão disto, uma vez que foi exposta a base da fé calvinista ou reformada, está ligada diretamente com a discussão a qual este tópico foi aberto, a saber: A razão de ser do Homem, qual o seu propósito. O Catecismo maior de Westminster responde da seguinte forma:
“João Calvino (1509-1564) já combatera a 'fé implícita' – que era patente na teologia católica –, declarando que a nossa fé deve ser 'explícita'." (DA COSTA, Hermisten Maia Pereira, 2008, p.6) Para Calvino a fé implícita é aquela que está submersa em uma escuridão intelectual, ou seja, uma fé sem o ensino e estudo da palavra de Deus. O que leva Calvino a dizer que "não existe fé onde não haja conhecimento" (Calvino apud DA COSTA, Hermisten Maia Pereira, 2008, p.7), pois como pode alguém ter fé verdadeira sem conhecer o objeto da fé? Realidade tratada em Calvino que denuncia o limbo educacional atual, no qual se encontra o cristão brasileiro. Ou seja, estamos regredindo à uma espécie de catolicismo romano neo-petenconstal. "Daqui se faz evidente que espécie de cristianismo existe dentro do papado, onde não só é a crassa ignorância exaltada em nome da simplicidade, mas também o povo é rigidamente proibido de buscar o real discernimento”. (Calvino apud DA COSTA, Hermisten Maia Pereira, 2008, p.7).
A fé explícita seria exatamente o opostoa de fé implícita, uma vez que estaria submersa na luz da razão e do estudo da palavra de Deus, a qual é resumida ao público leigo de forma de fácil compreensão na forma de catecismos e confissões de fé, os quais têm a função pedagógica de instruir crianças e adultos acerca da fé. Onde também as confissões exercem mais precisamente a função de "preservar a sã doutrina, objetivavam tornar clara e objetiva a fé dos crentes." (Hermisten Maia Pereira, 2008, p.8). Então percebam que, não se tratando especificamente da em educação em Calvino, porém com a reforma calvinista em geral, a instrução, ensino, razão e estudo tem primazia. E a razão disto, uma vez que foi exposta a base da fé calvinista ou reformada, está ligada diretamente com a discussão a qual este tópico foi aberto, a saber: A razão de ser do Homem, qual o seu propósito. O Catecismo maior de Westminster responde da seguinte forma:
A razão de ser e alcance da educação
Para nós cristãos reformados, temos que todas as coisas são feitas para a gória de Deus e esta é a razão de ser do Homem, bem como explicitado pelo apóstolo Paulo em 1 Co. 10:31, ou seja, a perspectiva calvinista acerca da educação é pensada nesta mesma lógica. "A questão da educação em Calvino, na verdade, emerge da sua proposta teológica em que o Homem, devidamente instruído, poderia ser iluminado pelo Espírito Santo e chegar ao conhecimento de Deus, razão de ser do próprio Homem." (RUTE SALVADOR, 2013, p.143) A questão aqui não se trata de algum tipo de gnosticismo onde se faz necessário o conhecimento de alguma formula secretra de se interpretar a bíblia e o mundo para receber a salvação. A idéia é de a instrução pode nos conduzir a sermos iluminados pelo Espírito Santo (SALVADOR RUTE, 2013). Portanto esta dimensão da educação em Calvino reflete o teor missionário de sua perspectiva, uma vez que Deus se revela através de sua criação, nos cabe instruir e ser instruídos em toda ciência a fim de conduzir a nossa consciência ao conhecimento de Deus, o que em última análise diz respeito ao acesso e alcance da educação de modo que "todos deveriam passar por uma educação 'transformadora, vivencial, humana, coerente com as Escrituras, aberta à revelação do Espírito Santo e voltada para a sua glorificação'” (Greggersen apud RUTE SALVADOR, 2013, p.143) Então temos aqui um forte indicador de que a escola deve ser pública e de qualidade, mesmo que em um contexto educacional muito difenrete dos dias de Calvino, uma vez que a igreja esteja separada do Estado, ainda sim devemos promover a existência do ensino público e procurar garantir a sua qualidade, o que pode ser feito através da liberdade de expressão do docente, por isto movimentos como o Escola Sem partido, podem ser prejudiciais para nós em longo prazo. Pelo fato de que eles separam os conceitos de educação e ensino, "para esse Movimento, a educação é uma prerrogativa da família e da Igreja, cabendo à escola apenas o ensino, compreendido como conjunto de instruções e procedimentos que não questionem valores e crenças dos estudantes e de suas respectivas famílias" (MARIZ, Débora; DE MARIZ, Heli Sabino, 2019, p.3), ou seja, extremamente o oposto da perspectiva de educação que cultivamos, fazendo com que a razão última do "ensino" seja o de entrar para a faculdade e conseguir um bom emprego. O que não deveria ser a razão última da educação na perspectiva de um cristão, esta ideia está mais ligada ao mercantilismo desenfreado e a politicagem do século XX e XXI do que exatamente uma preocupação genuína com a qualidade e alcance da educação.Referências
SALVADOR, Rute. Calvino e a Educação. 2013.DA COSTA, Hermisten Maia Pereira. AReforma CALVINISTA E A EDUCAÇÃO: ANOTAÇÕES INTRODUTÓRIAS. 2008.
MARIZ, Débora; DE MARIZ, Heli Sabino. Movimento Escola Sem Partido: uma leitura à luz de paulo freire. Educação (UFSM), v. 44, p. 8-1-19, 2019.

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